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A vaca que ri com as galinhas felizes



Ricardo Sastre
São Paulo, 17 de fevereiro de 2026. 

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Imagem gerada por IA

Estamos vivendo o momento da felicidade e da proteína, tudo se manifesta no bem viver, como se a vida fosse um somatório incessante de prazeres e momentos memoráveis. Possivelmente os álbuns de fotos nas redes sociais possam refletir este estilo de vida, porém, o mundo real com seus altos e baixos, nos relembra constantemente que nem tudo são flores. 

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Desde o tempo da família margarina, para quem esqueceu ou não viveu essa época, eram as famosas propagandas de margarina. Uma câmera fechada em uma mesa de café da manhã com a família toda reunida para desfrutar este momento importante. A mãe protagonista, muito bem-vestida, maquiada e com um sorriso no rosto contagiante as 7 horas da manhã, refletia este mesmo momento de felicidade das atuais redes sociais, mas muito longe da realidade do dia a dia e do valor nutritivo do produto. A cena era tão perfeita que acabou virando deboche no meio publicitário.

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Voltando ao título, o que podemos esperar das galinhas livres e felizes e os seus ovos maravilhosos ou “maravilhovos”? Essas galinhas vivem em ambientes que permitem comportamentos naturais, como ciscar, tomar banho de sol e de areia e geralmente, ovos de galinhas soltas possuem mais ômega-3 e vitaminas, além de menos colesterol ruim (LDL). A gema costuma ter um amarelo mais vivo devido à alimentação mais natural. Para liberar seu acesso no mundo atual, o ovo é uma excelente fonte de proteína.

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Já que falamos das propagandas de margarina, sugiro rebobinar a fita e refletir sobre as condições primárias de uma galinha. Para vencer a produção de ovos e frango, foi necessário fazer um pequeno desvio no habitat natural dessas aves, incluindo confinamentos e hormônios de crescimento para que a capacidade produtiva desse conta aos anseios de uma sociedade em crescimento populacional. Ovos e frango comparados a outros animais costumam ser mais acessíveis financeiramente. 

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Enquanto a galinha vive confinada, a vaca que ri continua sorrindo, pois, sua proteína é valoriza a cada dia, ao ponto de virar símbolo de campanha política no Brasil. Uma boa parte da população continua sonhando com sua amada picanha.

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As galinhas felizes ficaram tristes, mas algumas espécies privilegiadas receberam o benefício de viverem como Adão e Eva, livre, leve e solta pelo mundo das minhocas, do sol e da areia. Esse não deveria ser o seu habitat natural? 

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Muitos pensadores da humanidade atribuem um movimento cíclico do universo, desde seus primórdios. A natureza se regenera, os alimentos naturais se sobrepõem aos alimentos ultra processados, empresas faturam trazendo experiências essenciais do ser humano como estar em contato com a natureza, andar descalço, se desconectar por algumas horas e outras formas de lembrar a humanidade sobre a sua missão neste planeta, isso é familiar ao caso das galinhas felizes? 

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Se este mundo for um laboratório de aprendizado sobre nosso verdadeiro propósito no universo, é natural o movimento oscilante entre momentos bons e desafiadores, são eles que nos ensinam como encará-los da melhor forma possível e seguir na jornada de aprendizado. 

No caso da publicidade, cuja missão primária é vender, nesse novo cenário de inteligência artificial, nunca foi tão fértil o campo da felicidade e do simples como uma excelente ferramenta para atrair consumidores. 

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Por favor, meus ovos eu quero com as gemas bem amarelas e o leite com bastante nata para aumentar o nível de proteína em meu corpo!

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