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Ricardo Sastre
São Paulo, 29 de maio de 2026.

Nunca traia os seus valores

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Imagem gerada por IA

A velocidade da vida (tempo subjetivo) está tão acelerada que nem sempre paramos para refletir sobre as nossas ações. Em um mundo ainda ou eternamente movido pela geração de recursos financeiros para sobrevivência, a tendência é de criarmos excedentes. O que acumulamos é para garantir uma aposentadoria tranquila e conforto para família ou juntamos mais do que o necessário porque precisamos suprir ou substituir necessidades psicológicas? 

As escalas mudam, é difícil entender as causas, mas alguns nascem em famílias mais abastadas do que outras e a luta pela sobrevivência pode se tornar mais fácil ou desafiadora. A desigualdade social é um problema relacionado a sustentabilidade. Muitos chamam de carma ou destino, cada religião ou linha filosófica tentam explicar a partir dos seus olhares o sentido da vida. No lado ocidental, aprendemos desde cedo que o trabalho dignifica no homem, o problema é quando não há dignidade ao ganhar dinheiro. 

Quando o recurso financeiro se torna o objetivo principal, pouco importa a atividade profissional ou a intenção, o foco está em acumular riqueza. Se existir propósito em nossas ações, o trabalho se torna prazeroso, leve, tende a reduzir os conflitos com a vida pessoal. Afinal, exercemos diversas funções, mas somos uma unidade. Neste caso, o dinheiro é uma consequência e uma gratificação pelos serviços prestados. 

As fases da vida mudam a nossa forma de pensar e agir. Quando criança, somos sustentados por alguém, no caminho natural, recomenda-se exercer alguma atividade remunerada a partir do início da idade adulta. Sabemos que essa não é a realidade de muitas crianças e adolescentes, mas existem ações governamentais para conter.  No início da carreira, o objetivo é ter uma fonte de renda para suprir as necessidades que não foram abastecidas pelos nossos pais, buscamos autonomia, é uma fase de descobertas. Com o passar dos anos, as motivações mudam, agora o objetivo é se sustentar e construir uma família. Na fase de maturidade, a tendência é o entendimento sobre o que foi conquistado e como se projetar para a velhice. 

Seja qual for a motivação ou a fase da vida, nossas ações necessitam ser abastecidas com recursos financeiros para existir, mesmo em atividades sem fins lucrativos. Como realizar sem recursos?    

Pode ser um dos ensinamentos da vida, mas estamos sempre perseguidos pelo fantasma da subsistência, precisamos suprir nossas necessidades básicas de viver e morar em primeiro plano e buscar uma vida confortável, com o mínimo de privações. Quando o capitalismo descobriu que proporcionar boas experiências aos consumidores gera resultado, inauguramos mais uma fase de consumo. 

Os extremos são sempre ruins, seja pela escassez ou pelo excesso. Nosso planeta não suporta nosso modo de vida, é preciso mudar.  Retomando o caso em que o dinheiro é mandatório, ações como ludibriar o consumidor ou não se importar com o desgaste do mundo tornam-se regras de mercado. 

Somos moldados pelo tripé composto pela nossa índole (essência), a influência do meio que vivemos e os nossos relacionamentos em todos os níveis. Quando existe uma pré-disposição para agir de forma duvidosa e isso é abastecido pelos exemplos externos, temos um cenário favorável para a manifestação do Ego, da ganância e ignorância (no sentido de desconhecer). As empresas são feitas por pessoas.

 

As empresas mal-intencionadas buscam líderes que se dispõem a vestir a camisa ou constroem armadilhas para manter o gestor em uma situação desconfortável, proporcionando uma vida de luxo (como diz o Ferreirinha, o paladar não retrocede), mas sob ameaça de romper a relação. O que direi para minha família que se acostumou com um padrão de vida melhor? 

É muito difícil mudar uma cultura que  acompanha toda a nossa formação e dar valor as nossas crenças. O primeiro desafio é construir um repertório que nos faça perceber que nem tudo é acumular e que os momentos inesquecíveis não necessitam de muitos recursos. A filosofia atribui a felicidade verdadeira quando descobrimos um conhecimento que nos faça sentido. Viver pelo dinheiro é como beber água do mar para matar a sede.    

 

O segundo desafio é romper com esses valores pré-estabelecidos, tornando mandatório tudo aquilo que acreditamos. Lembre-se que o fantasma da subsistência nos persegue. Quando conseguimos fazer isso, sentimos o gosto da liberdade e entendemos que nem tudo é movido por dinheiro. Um relacionamento profissional de longa data, uma carreira sem manchas e a sensação de estar contribuindo para um mundo melhor, respeitando todos os seres é a verdadeira riqueza. 

Chegar no final da jornada com o suficiente para viver confortavelmente (não levaremos nada e o que deixaremos poderá ser passível de conflitos), realizado com as nossas ações que podem refletir para muitas gerações (legado) e com a consciência tranquila de que ao longo da vida se buscou respeitar as pessoas e o planeta é uma fórmula interessante de encarar os desafios da vida com motivação. 

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