top of page




Ricardo Sastre
Brasília, 18 de junho de 2026

O design não é moeda de troca

10 Design não é moeda de troca.png

Imagem gerada por IA

Atuar na área do design é desafiador bem como em outras profissões, a diferença é que o primeiro degrau é o mais alto e o entregável é intangível. Produzimos ideias e conceitos, não mensuráveis, o que torna mais difícil a precificação. 

O valor de um projeto de design pode oscilar de zero a alguns milhões de reais. No início de carreira, durante o curso de graduação ou como autodidata, para formar portfólio, aceita-se permutar ou até mesmo fazer projetos gratuitamente para mostrar o trabalho para o mercado. A régua vai subindo a partir do reconhecimento, seja por projetos exitosos ou prêmios, currículo e experiências práticas. Nem sempre essa regra é aplicável, ter atitude em saber se posicionar é fundamental. 

 Quanto custa um quadro de um artista famoso, é apenas a sua tela, tintas e moldura? E uma peça de antiquário? 

São muitas áreas em que o designer pode atuar e cada uma possui as suas particularidades e mercados. A competitividade entre as indústrias e a descoberta de que o design é um impulsionador de novos negócios está resultando em uma distorção sobre o verdadeiro valor do design. 

É comum para alguns segmentos que as indústrias ofereçam projetos “gratuitamente” em troca da produção de um artefato, como móveis sob medida, embalagens e design gráfico de uma maneira geral. 

Neste modelo, quando a empresa possui uma área interna de projetistas, os custos do setor estão embutidos no preço final do produto e o cliente não consegue mensurar o valor do projeto e em muitos casos nem a própria indústria. Oferecer projetos desta forma pode auxiliar na venda de produtos, mas desvaloriza o valor do projeto. 

Se uma empresa adota uma gestão centrada no design para oferecer produtos e serviços mais qualificados é uma excelente ferramenta de competitividade, mas, se desenvolver projetos para os clientes sem valor percebido desvaloriza o trabalho do projetista e prejudica a área de quem vive disso. 

Em muitos casos, uma indústria que oferece soluções de projeto aos seus clientes sem cobrar, acaba criando um mecanismo de competitividade em troca de pedidos e um risco enorme de abastecer seus concorrentes com novos projetos. Nem todos os clientes são fiéis aos seus parceiros, afinal, não custou nada! 

Além de sobrecarregar a área de desenvolvimento, os projetos entregues aos clientes em troca de pedidos necessitam ser rápidos, simples e adaptáveis a diversos contextos. Não há espaço para um aprofundamento e muito menos um olhar sistêmico, busca-se projetos que estão no mercado, em alguma biblioteca virtual ou até mesmo uma cópia da concorrência. Muitos projetos que estão no mercado poderiam ser melhorados, ao copiá-lo, acaba-se aumentando a proliferação de projetos ruins, o mercado não evolui e o volume no aterro sanitário aumenta.

Os profissionais que conseguem definir claramente seu foco de atuação e oferece ao mercado soluções eficazes, sofre menos interferência das indústrias, isso não significa que estão isolados, a entrada da inteligência artificial também poderá interferir na decisão do cliente, dentre outros fatores externos. 

Criar é apaixonante, mas não é fácil sobreviver no mercado como designer!

As indústrias e empresas que optaram em oferecer soluções baseadas em design, necessitam contratar bons parceiros ou profissionais que desenvolvam projetos de qualidade e com profundidade. Acima de tudo, apresente o valor do desenvolvimento, como outros componentes do custo. Afinal, quando vamos em um restaurante, pagamos pelo prato de comida e a bebida separadamente. Tudo é uma questão de hábito, de como o setor se posiciona. Clientes que buscam o desenvolvimento sem custo em troca de pedidos não merecem ser atendidos por profissionais de design.    

O design precisa ser valorizado, tudo começa pelas nossas atitudes. 

Lembre-se, o design não é moeda de troca!

bottom of page